domingo, 10 de agosto de 2008

Pérolas da MPB - O chamado

E a pessoa refletida no espelho dos seus olhos

Meus Textos

teste

sábado, 9 de agosto de 2008

Meus Textos

FIM

(Mario Faillace)

O coração sangrava. Outrora apaixonado, gotejava agora, em vermelho, suas lembranças.

Alegrias e frustrações vinham à tona. O fim não representava alívio. Tinha tesouros que eram seus para sempre, mas sabia que seguiria só, dali para a frente, e isso não o deixava feliz.

Arrumou a mesa de jantar e, sem companhia, fez sua ultima refeição naquele lugar. Entrou no carro. Não levava bagagem, mas o porta-malas não fechava, lotado de recordações.

Meus Textos

PRISIONEIRO
(Mario Faillace)

Adormecia quando ela chegou. Entrou, sutilmente, sem pedir licença. Fiquei envergonhado pela bagunça: meus sentimentos estavam todos fora do lugar. Tentei mostrar indiferença, mas ela entendia de leitura de brilho dos olhos. Acariciou meu rosto com o dorso da mão. Sua pele era macia. Seu toque suave tinha a forma de um enorme par de algemas. Fez de mim um feliz prisioneiro.

domingo, 3 de agosto de 2008

Meus Textos

ERA VOCÊ...

(Mario Faillace)

Ela passou apressada. Seu andar era elegante, os gestos suaves e o rosto delicado. Lançou-me um olhar como que distraidamente e espreitou minha reação pelo canto do olho. Resolvi segui-la, mas não conseguia alcança-la. Apressei meus passos, porém era como se caminhasse dentro d'água; chamei-a, mas minha voz saiu como um sussurro. Ela então se deteve, sabia que a situação lhe pertencia. Virou-se devagar, segurando charmosamente os cabelos, e, percebendo minha agonia, estendeu a mão com delicadeza. Seu rosto iluminou-se com o mais belo sorriso que já vi. Percebi, então, que sonhava.


Pérolas da MPB

DANDARA

(Francisco Bosco)

Ela faz mechas claras nos cabelos
e caminha na areia pelo raso,
eu procuro saber dos seus roteiros
pra fingir que a encontro por acaso.


Meus Textos

AMOR (IRRE)VELADO
(Mario Faillace)

Às vezes me pego pensando
em tudo que não fizemos,
naquilo que não dissemos,
nos dedos que não se entrelaçaram,
nos olhares que não trocamos,
nos lábios que não se tocaram.

Penso nos sorrisos que se perderam,
no gesto que ficou na intenção,
no calor retido,
na expressão contida.

Penso nos sonhos onde nos encontramos
e que nunca foram contados,
nas fantasias vividas em segredo,
nos desejos silenciosamente saciados.

Penso nas tardes que não tivemos,
nos pores-do-sol que não assistimos,
nas manhãs que não acordamos juntos.

Penso, e de tanto que penso,
às vezes me esqueço
que te amo assim, ao avesso.