Conta-se que num vilarejo muito pobre, enquanto um velhinho agonizava, os que o rodeavam saíram à procura de um padre que lhe desse a extrema-unção.
O padre havia viajado. Lembraram-se, então, de que poderiam, ao menos, colocar em sua mão uma vela acesa. Não havia, porém, vela. Alguém mais avisado, pondo um punhado de terra na mão do velho, fez pequena depressão naquela terra e ali entornando um pouco de óleo, nele mergulhou a extremidade de um pedacinho de barbante à maneira de um pavio. Foi apenas questão de acender o pavio e a lamparina improvisada funcionou. O velhinho, que permanecera quieto todo o tempo, olhou para a mão e, com a voz já bastante apagada, pronunciou suas derradeiras palavras: "Morrendo e aprendendo".
(do Prólogo da 3a ediçao do livro Medicina da Pessoa, de Danilo Perestrello).
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