domingo, 3 de agosto de 2008

Meus Textos


DIVAGAÇÕES

(Mario Faillace)

Sim, os dias passam. Indiferentes ao que nos vai na alma, eles transcorrem. Passam por nós, mas nem sempre nos levam com eles. Às vezes ficamos retidos em algum ponto e para lá somos arrastados pela lembrança quando queremos companhia, um ombro amigo, um rosto, uma voz...

Os dias sempre passarão por nós, alheios, porque as horas não nos amparam. Voam quando queremos quebrar a ampulheta e se arrastam quando precisamos que o tempo passe e encontremos algum porto seguro. Há dias em que alternamos momentos de melanconlia com o esforço para nao transformar o frio telefone na voz doce de uma pessoa querida. Assim trocamos o que seria certo pela improvavel coincidencia de achar um rosto em meio à centenas na rua. E toda a euforia do "Alô" ansiosamente pretendido dá lugar a uma sensaçao desagradavel de conscientizaçao do significado de 'impossivel'.

O meu dia também passou, como o de ontem, e como o de amanhã, certamente, passará, porque a eles nao resta alternativa. Mas nao passei por hoje como ontem porque senti saudade de alguém, tive lembranças de pessoas, de lugares e amanhã, provavelmente, esses pensamentos darão lugar a outros.

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